Varias pessoas criticam a Parada do Orgulho LGBT de São Paulo afirmando que ela perdeu seu caráter político, difícil é encontrar em seus discursos algo que mostre uma alternativa para reconstruí-la.

Ao pensar nisso acabo sempre lembrando da primeira vez que fui a uma parada, isso em 2008, e o quanto ela contribuiu para que eu me reconhecesse como cidadão. Pude, pela primeira vez, beijar outro homem sem pudor em plena luz do dia na avenida mais importante de SP, isso foi realmente inesquecível. Tinha 20 anos e havia acabado de aceitar meu desejo, estava a dois meses com o Kleber e tudo cheirava a novo. Milhões de pessoas felizes e livres me fizeram pensar: “Porque demorei tanto tempo pra viver minha vida?”. Aquele dia foi um momento de afirmação, de consolidação de uma identidade sexual e acima de tudo política.

Diferente dos que a criticam, nesse domingo vou sim para um carnaval fora de época, vou sim para uma festa, vou sim lutar de uma forma diferente, transcendendo e questionando todas as normas e padrões que me oprimem, inclusive o pensamento retrogrado de alguns iguais.

Usemos mais uma vez da alegria e do estranhamento para reconstruirmos nossa sociedade encima de novas bases, sem Machismo, Racismo, Homofobia e qualquer outra forma de preconceito, discriminação e opressão.

Murilo Ramos Mariano