Por: Murilo Ramos Mariano

No século XXI temos nas famílias brasileiras um novo integrante, presente, influente e responsável em grande parte na formação do conhecimento das demais pessoas da casa. Esse integrante é a Televisão. Infelizmente a maioria dos canais intoxicam as mentes com informações desnecessárias e desencontradas, são cada vez mais eficazes na alienação do individuo e diminuição do intelecto humano.

Tendo o telejornalismo e outros programas informativos em foco nesta critica podemos observar o quanto a televisão pode ser prejudicial à emancipação do individuo através, por exemplo, da maneira de abordagem e escolha das noticias exibidas. Informações irrelevantes para as massas são jorradas o tempo todo, quando informações realmente úteis passam desapercebidas no meio de tantas matérias desnecessárias. O fato de noticias totalmente discordantes estarem juntas em um mesmo contexto jornalístico às colocam no mesmo nível de importância, direcionando o pensamento e conhecimento do telespectador.

Inúmeros telejornais mostram a violência cotidianamente de forma sensacionalista, influenciando seus telespectadores a serem violentos, mesmo que inconscientemente, ou a serem coniventes com a mesma, de tanto ser explorada e exposta a violência acaba por demonstrar-se comum e inevitável, visão propiciada pelos telejornais quando o correto a ser feito seria dar ferramentas para o indivíduo analisar e compreender por que tais atos violentos ocorrem dia-a-dia. O que há por trás de tanta violência? Há tanta violência assim, ou esse é um método para impor medo aos cidadãos, fazendo-os de cativos em suas próprias casas e assim sendo mais fácil de manipulá-los?

Outro ponto importante é analisar a maneira que a noticia é transmitida, muitas vezes com opiniões dos jornalistas, opiniões que passam a ser assimiladas pelo telespectador como verdades absolutas, uma vez que a televisão transforma pessoas sem o menor conteúdo em mitos, deuses e fonte de conhecimento e verdade.

Telejornais com abordagens superficiais, com compreensão fácil, com direcionamento de opinião e com matérias discordantes entre si formam o caráter da grande maioria dos telejornais emitidos pelas televisões brasileiras.

Diversos telejornais também abordam de maneira endeusada o futebol com seus jogadores e times, abordagem que transforma-os em produtos movimentando o mercado e alienando o telespectador, um exemplo claro disso é visto todo ano que há copa do mundo, onde o futebol é assunto central dos telejornais, passando desapercebido inúmeros escândalos políticos ou diversas outras informações de incalculavelmente importância ao cidadão.

Outros programas com fundo jornalístico tem como principal produto as celebridades, suas vidas e futilidades, onde o simples ato de tomar sol na praia transforma-se em um mega furo de reportagem. Nesses programas costumam aparecer matérias sobre casamentos milionários, corpos perfeitos, estilos de vida regados ao luxo e tantas outras inutilidades que somente servem para iludir as pessoas e venderem imagens vazias de vida, distanciando o individuo de sua realidade. Tais programas acabam servindo também de manutenção da desigualdade social, demonstrando que a felicidade só está presente quando se tem muito dinheiro, deixando de lado qualquer referencia a educação ou ao conhecimento do mundo. Quando meia dúzia de celebridades está esbanjando dinheiro, a maioria dos brasileiros tem que trabalhar dia e noite para se alimentar.

Não podemos esquecer também dos programas humorísticos, que reforçam  o preconceito utilizando de estereótipos como piadas fáceis. Onde o pobre é sempre burro, a empregada domestica é sempre analfabeta ou nordestina, a mulher é sempre objeto sexual, o homossexual é sempre afeminado e alienado, e tantos outros exemplos aqui podem ser citados. O humor utilizado na televisão quase sempre se baseia na humilhação do outro, na acentuação de características negativas, na falta de conteúdo e na manutenção de estereótipos.

Outro aspecto da televisão brasileira também são os programas que supostamente ajudam ao telespectador, como quando ocorrem reformas de casas e carros, pagamento de dividas, prêmios em dinheiros e tantos outros. Fatos que exploram a desgraça de um povo, utilizando-se da exposição alheia para obtenção de audiência, e assim contratos com novos anunciantes, gerando muito mais dinheiro do que foi gasto com tais ajudas.

Apesar de todos esses pontos não se deve culpar a televisão em si e sim a maneira em que está e utilizada, onde predomina o entretenimento sem conteúdo e o anestesia da mente humana ao invés da inclusão, nas grades televisivas, da ideia de respeito ao cidadão, transmissão de conhecimento e oferecimento de ferramentas necessárias para os telespectadores tirar de forma autônoma sua própria conclusão, opinião e vontade.